No manches, chilango! (parte 2)

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Depois de Teotihuacan, não acabou a exploração arqueológica! Sendo que agora não mais em campo, mas no grandioso Museu Nacional de Antropologia. Lá estão expostas relíquias arqueológicas da imensidão de povos que habitaram o México antes da chegada dos invasores europeus. Ali temos algumas das intrigantes cabeças olmecas (monolitos gigantes com forma de cabeças de feições negróides), o famoso “calendário asteca” (ou Pedra do Sol), a poderosa serpente emplumada Quetzalcoatl e Tlaloc, o deus da chuva. Também uma infinidade de artefatos utilizados no cotidiano dos habitantes do continente.

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O criador (este não deixou dúvidas quanto à sua missão!)

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O museu é gigantesco e precisa de pelo menos uns dois dias se quiser conhecê-lo em todas suas alas. Eu fui um dia só mesmo… vi pouco, mas o pouco que vi foi bastante! Mais adiante, ao longo da viagem, iria rever algumas daquelas figuras nos seus parques arqueológicos de origem.

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Dios Viejo

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Diosa Alimentadora

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bien dicho, carnal!

 

Seguindo o ritmo da exploração cultural, fui em busca dos costumes dos mexicanos e nada melhor que ir aos mercados populares para sentir o espírito deste povo. Há mercados de bruxarias, de comidas, quinquilharias, artesanatos e de tudo mais que se possa imaginar. Muitas cores, sabores e o ruído estridente característico do sotaque chilango (gentílico popularesco relativo aos naturais do DF). Entre as iguarias que se pode encontrar da exótica culinária mexicana temos, por exemplo, o chapulín! Sim, como nosso adorado herói da TV! E assim como ele, tem anteninhas também, pois se trata de um grilo! Meio esquisito, mas refletindo legal, na prática é o mesmo que comer um camarão (sendo que menos sujo).

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Chapulines, a huevo! jajaja

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Como já havia feito antes na viagem, organizei, por meio do Couchsurfing, um encontro gastronômico. E que melhor lugar para se organizar um encontro com comida! No site, fiz a proposta e perguntei se alguém poderia hospedar o encontro. Logo de cara surgiram umas três propostas, as quais tive de submeter a votação. Terminou se decidindo por Coyoacán, um bairro com um certo charme alternativo, onde inclusive está localizada a casa de Frida Kahlo.

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O encontro bombou e deu por volta de umas 40 pessoas, a maioria delas apresentandoalgum prato. Minha contribuição foi com a nossa conterrânea a tapioca! Achei num mercado popular um polvilho tailandês (!), que serviu maravilhosamente. Fiz uma rodada de salgada recheada com huitlacoche (fungo que dá no milho) e vegetais que fez os mexicanos pedirem arrego pelo toque picante. Considerando a fama dos mexicanos com relação ao gosto pela pimentinha, dei uma caprichada, mas acho que foi demais pra moçada… depois entrei com uma rodada de doce recheada com queijo e goiabada, só que quando o povo achou que ia se refrescar, aí que se danaram, porque também tinha o tal do “mole” no recheio. Mole é um tempero famoso no México, composto por PIMENTA, cacau, castanha, banana, etc…coitados! E isso por que os chilangos são assim conhecidos, segundo me contaram, por serem inveterados comedores de chili (pimenta)! No manches, chilango!
[“no manches” é uma expressão com vários significados possíveis, sendo aqui “fala sério!”]

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Além das comidinhas, ainda rolou muita dança e com o sucesso, ainda organizamos mais um evento, só que este outro de dança. Um pessoal de uma escola de dança cedeu o espaço deles e ofereceram uma aula grátis e depois da aula, fomos para um bar cubano para “salsear”!

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Antes de deixar a capital, ainda fui a Tepoztlán, uma cidadezinha localizada, mais ou menos próxima ao DF, no estado de Morelos. É um povoado bem tradicional, rodeado por belas montanhas. Fui para lá com uma amiga britânica que conheci no DF. Em Tepoztlán, conhecemos as famosas tepoznieves, sorvetes exóticos que eles fazem por lá. Apesar de já acostumado com a aleatoriedade gastronômica dos mexicanos, consegui me surpreender com os sabores oferecidos. Acho que só faltavam mesmo os sabores churrasco e pizza…

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Mas o principal motivo que levou até ali foi visitar o parque arqueológico. É uma trilha através de desfiladeiros que nos levam ao topo de umas montanhas, onde se encontra uma pirâmide. Ela é bem pequena se comparada com a colossal Pirâmide do Sol, por exemplo, mas o que impressiona ali é o conjunto da obra. A paisagem, o caminho até lá e todo o ambiente de muita natureza… até demais! Pois incluía uns quatis atentados que estavam cercando nossos pertences. Avisei minha amiga para cuidar bem de sua mochila, pois já conhecia bem esse tipo de gatuno. Mas não adiantou muito, pois ela deixou a mochila aberta e os malandros levaram a sacola com o rango dela… ainda tentei correr atrás, mas a rota de fuga deles era boa!

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Depois de umas duas semanas e meia na Chilangolândia, segui meu caminho. Fui rumo a Oaxaca, mas antes dei uma breve paradinha em Puebla.

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o anjo estradeiro

 

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