No manches, chilango! (parte 1)

Ao chegar ao DF (Distrito Federal, como é mais conhecido por lá a Cidade do México), sai da rodoviária direto para o metrô. Depois do primeiro estranhamento que foi o de pagar algo equivalente a 50 centavos de real por um bilhete, comecei a sentir uma dificuldade em respirar. Apesar de que minha carga era bem pesada (quase 30 Kg), já estava acostumado. Foi então que me dei conta de que a cidade é bem alta (2250m). Foi interessante passar por aquele monte de estações com nomes mexicas. Também curioso o movimento de vendedores pelos vagões, o que me fez lembrar da muvuca de nosso trem suburbano carioca. Só que um pouco além daquilo com que estamos acostumados… tipo homens se jogando em cacos de vidros e declarando ao público que não deixem seus filhos se perderem nas drogas para não ficarem como eles. Doideira!

 

Desci na estação Patriotismo, pois estava indo para a colônia Escandón (colônia é como chamam os bairros), onde iria ficar na casa de minha amiga Nataly. Ela mora lá com seu namorado Rafael e seu canino Gandhi. Nos conhecemos no Rio tempos antes e agora nos reencontramos na sua terra. Uma das primeiras coisas que fiz foi fazer uma visita ao mercadinho popular do bairro. Já aproveitei pra comprar umas frutas e legumes e na volta paramos num restaurantezinho tipo boteco pra comer uns pratos locais.

 

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El angel

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Monumento a Cuauhtemoc

 

Minha primeira exploração foi, no dia seguinte à minha chegada, indo ao centro da cidade. Decidi percorrer todo o Paseo de la Reforma, a principal avenida da cidade. Ela é toda pontuada por muitos monumentos. Alguns deles centrais e imponentes, enquanto que outros, sutis e excêntricos, espalhados por suas beiradas. Um destaque para mim foi o monumento a Cuauhtemoc, o último imperador mexica, capturado e assassinado pelo espanhol Hernán Cortes. No monumento, é possível ver cenas de sua tortura pelos invasores.

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No final da travessia, encontrei uma praça onde está o Museu de Belas Artes. Por fora, ele tem uma cúpula alaranjada, que, tirando a cor, se assemelha um bocado com a do Teatro Municipal do Rio de Janeiro (e de fato ele foi construído na mesma época deste), sendo que a arquitetura em geral difere do carioca pela predominância do estilo art decó, ainda que também tenha bastantes traços neoclássicos. Por dentro, chama atenção a influência de padrões indígenas nas paredes. Há uma exposição permanente dos famosos murais de Diego Rivera e David Siqueiros. Um dos murais mais famosos é um feito por encomenda pela família Rockfeller a Rivera. O detalhe é que os Rockfeller, grandes capitalistas, fizeram a encomenda a Rivera, um famoso artista da época, porém também um comunista e notório por sua militância política na arte. De fato, Rivera não deixou passar a oportunidade e registrou o tema da luta de classes no mural e para tanto, ilustrou capitalistas mafiosos (entre eles, o próprio John Rockfeller!) confrontados por trabalhadores liderados por Lenin empunhando a bandeira vermelha. Não preciso dizer que os clientes não curtiram nem um pouco o que receberam, de forma que mandaram destruir a obra. O que está exposto no museu foi uma reconstituição feita pelo próprio Rivera.

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Bellas Artes

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Seguindo a rota, mais adiante me deparei com o Zócalo, a praça central onde se encontram as principais construções da capital, como a catedral e o Palácio Nacional. A praça é uma das maiores do mundo e ao centro há uma bandeira mexicana gigantesca que é hasteada todos os dias. Antes da invasão espanhola, a praça foi também o centro de Tenochtitlan (como era conhecida a capital do Império Azteca, hoje ocupada pelo Distrito Federal). Havia edifícios dos centros de poder da época e importantes espaços cerimoniais, entre os quais o Templo Mayor, do qual apenas restam ruínas que fazem parte de uma zona arqueológica.

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O Zócalo é também uma área marcada por uma tradição de grandes protestos ocorrendo ali. Um dos mais memoráveis foi o ocorrido em 1968, quando, na abertura dos Jogos Olímpicos que foi sediado na capital mexicana, a população tomou a praça num grande protesto. Já esperando por isso e visando dispersar completamente o movimento, o governo alocou atiradores de elite no alto dos prédios ao redor da praça e deu início a uma matança que dizimou centenas de cidadãos.

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Teotihuacán

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Tlaloc e Quetzalcoatl

 

Apesar dos Aztecas terem sido os responsáveis pela edificação de Tenochtitlán, há nas cercanias da Cidade do México o parque arqueológico que abriga as ruínas da talvez maior cidade das Américas na época pré-colombiana: Teotihuacan. Na verdade, estima-se que em seu auge foi uma das maiores do mundo. Apesar de estar situada na região onde dominou o Império Azteca, este só se estabeleceu na área quando Teotihuacán já havia há muito tempo desaparecido. Lá se encontra a segunda maior pirâmide do México, a Pirâmide do Sol. Outra construção imponente do parque é a Pirâmide da Lua, um pouco menor que aquela.

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Calzada de los Muertos

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Piramide del Sol

 

No parque, há muitos vendedores de artesanato e foi lá que tive meu primeiro contato com os artefatos de obsidiana, mineral de origem vulcânica muito abundante no país. Era um dos minerais mais usados pelos povos desta parte do continente, sendo empregado especialmente como artigo bélico, já que se faz com ela uma lâmina extremamente cortante e resistente. Por assim dizer, os espanhóis precisaram de algo mais que aço e cavalaria para passar por cima dessa galera…

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El jaguar

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