Que viva Mexico, cabrones! 15 a 18 de Fevereiro de 2013

Saindo de madrugada de Austin, só fomos chegar à fronteira de Laredo de manhãzinha. E aqui já começaram minhas peripécias em terras mexicanas. Bem na fronteira, como viria confirmar ao longo da viagem pelo continente que essas desventuras eram sinal de que o lugar seria bom! Ainda meio que sonolento, comecei a ver guardas pelo caminho e presumi que já estávamos chegando às aduana estadunidense, mas qual não foi minha surpresa quando me deparo com um escritório ostentando a alegre bandeira mexicana. Imediatamente me dirigi ao motorista perguntando por que não paramos na outra aduana para dar baixa nos passaportes, ao que ele me respondeu que todos ali eram mexicanos e ele achou que eu também era. Falei que ele não tinha de advinhar nada, mas sim perguntar aos passageiros se precisavam resolver algo na aduana antes de cruzar. Ele se desculpou, mas quando cobrei uma solução, disse que eu deveria ir ao outro lado dar baixa, mas que deveria esperar o próximo carro, pois ele não poderia esperar. Aí começou a confusão pois comecei a exigir que ele me esperasse, pois a responsabilidade era única e exclusivamente dele, de forma que eu jamais iria pagar por um erro que não era meu. Ele ainda tentou resistir, mas no final teve de ceder e me esperar lá enquanto passei ao outro lado por uma pontezinha e entreguei meu carnê ao oficial da aduana. Regressei, fiz os procedimentos na aduana mexicana e voltei ao ônibus rumo a Monterrey. Um fato que vale ressaltar é que a preocupação com os pertences ao entrar no país (ao contrário do caminho inverso) é nula e o mesmo com relação ao visto. De fato, o México exige umvisto com critérios bem estritos, mas isso só é importante se você vem de algum, o outro país que não os EUA, pois neste caso você tem ou um visto, ou um passaporte estadunidense, o que é mais do que suficiente para você entrar no país sem necessidade de mais nada… pelo termômetro de soberania nacional, agora já estava mais do que claro que estava de volta à minha sofrida América Latina.

Na rodoviária de Monterrey apenas desembarquei, comprei um chip pro celular (quando você viaja usando couchsurfing, um celular é bem útil) e fui comprar as passagens para Tampico. Pouco depois de ter feito a compra, vi um grupo de mariachis entrando no terminal e parando em frente ao guichê onde havia comprado a passagem. Um rapaz se aproximou junto com a banda e a atendente levou as mãos ao rosto emocionada. Conforme a tradição, ela saiu de onde estava e foi até o rapaz, que se ajoelhou e creio eu, lhe pediu em casamento ou algo do gênero. A empolgação da banda não me permitiu prestar mais atenção à maioria dos detalhes do ritual cavalheiresco. Só percebi que ele continuava trincado de joelhos e ela, com cara de manteiga derretida. Fiquei grato pelo bom entretenimento, enquanto esperava a hora do busão.

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Pole dance em Tampico

Agora estava a caminho de Tampico, cidade situada no Golfo do México, onde faria escala rumo a San Luis Potosi no interior do país. Consegui ser aceito no couchsurfing por um camarada chamado Hector. Do centro tomei um ônibus à sua casa. Ele morava com o pai e um irmão. Ele me levou às aulas de pole de dance, que era um negócio que ele estava iniciando. Ele não tinha muita intimidade ou até afinidade com a coisa, mas sim um bom tino para negócios. Aproveitou que a coisa está na moda, contratou um amigo dançarino (que nunca tinha feito o pole dance em si), passou-lhe material a respeito para que se capacitasse e estava feito. Apesar de não ser muito entendido no assunto a aula me pareceu boa! Saímos na noite para um “antro” (é como chamam discoteca por lá) e na volta pra casa, novamente demonstrou sua capacidade nata de improvisação e de despertar talentos adormecidos. Ele estava bêbado e tínhamos vindo na sua pick-up. Como percebeu que eu não havia ingerido álcool, perguntou se sabia dirigir. Respondi que não tinha habilitação e tinha apenas alguma noção de direção. Isso foi suficiente para me delegar o volante! Achei meio doida a idéia, já que aquilo era uma pick-up e eu estava acostumado com minha bicicleta, mas achei o desafio interessante. Assim chegamos em casa.

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Plaza de Armas

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Apesar de Tampico não ser uma cidade turística, possui lá seus encantos. No centro da cidade, possuem algumas ruas com casario de estilo neoclássico francês, que me lembrou alguns edifícios que vi em New Orleans. O traço mais marcante eram as varandas com gradil metálico com molduras diversas. Na Plaza de Armas, chama atenção um coreto no formato de um polvo, ladeado por pilares curvos que lembram os tentáculos do molusco. Além de ter sido uma das cidades mais importantes do país na primeira metade do século XX, foi lá que os mexicanos derrotaram definitivamene a tentativa espanhola de retomar o país em 1829.

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Homenagem aos mártires da Batalha de Tampico, contra os espanhóis

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Lá também me encontrei com Val, amiga de uma amiga. Ela me levou a conhecer alguns outros pontos da cidade, como alguns parques e a Laguna del Carpintero, onde nadam crocodilos de monte. Dizem mesmo que já mataram algumas pessoas, como mendigos, que descuidadamente aventuraram-se a dormir perto das margens da lagoa, que inclusive é cercada justamente para evitar esses encontros indesejáveis.

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Laguna del Carpintero

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Minha idéia era seguir para a costa do Pacífico, onde entre outras coisas queria ver as Islas Marietas. Mas iria fazer uma parada San Luis Potosí, uma cidade situada no deserto, no centro do país. Depois de um par de dias em Tampico, tomei um ônibus para San Luis.

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