Oásis em meio à terra dos cowboys – 7 a 15 de Fevereiro de 2013

Cheguei ao aeroporto de Austin tarde da noite. Usei a wi-fi e pesquisei as acomodações na cidade. Meu plano era dar uma olhadinha rápida na cidade e já atravessar a fronteira pro México. Como a decisão tinha sido meio em cima da hora, nem tinha pensado em usar o couchsurfing. A coisa é que quando vi os preços me assustei e então decidi dormir no aeroporto mesmo. O último ônibus já havia saído e fui ajeitando os bancos pra deixar a caminha mais confortável. Entrei no couchsurfing e deixei uma mensagem no grupo local pra ver se tinha alguém a fim de dar um rolé pela cidade no dia seguinte. Para minha surpresa, recebi uma resposta e era de Troy, um camarada que conheci emum evento que organizei pelo CS no Rio de Janeiro. Sabia que ele era dos EUA, mas não me lembrava que era especificamente de Austin. Ele perguntou onde estava ficando e quando soube que estava dormindo no aeroporto, fez questão de ir me buscar. Por isso eu digo que mochilar dá sorte!

A casa do Troy fica num subúrbio residencial (apesar de não tão inóspito como o que encarei em San Francisco), mas havia acesso fácil a ônibus e ele ainda me emprestou sua bicicleta. Lá, assim como em San Francisco, é possível levar a bike no ônibus, num hack na dianteira do busão com capacidade para umas três bicicletas. Dei uma explorada pela região pedalando e era bem agradável o lugar, bem arborizado. Vi muitos esquilos e até um sorrateiro guaxinim.

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Barton Creek

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Colméia

Já tinha até me esquecido do chamado que tinha deixado na página de Austin no Couchsurfing (não estava acessando muito a internet), mas Troy me avisou que uns caras de Oklahoma tinham respondido. Eles se chamavam John e Samuel. Marcamos de no dia seguinte ir num parque natural chamado Barton Creek Greenbelt. O parque consistia basicamente de uma faixa arborizada às margens de um rio. É uma paisagem bem bonita, apesar de que o rio estivesse seco na maior parte dele (não sei se por algum desequilíbrio ecológico ou alguma sazonalidade natural do próprio rio) . Na verdade, aquele cenário árido de pedras queimando ao sol tinha também sua beleza. O rio seco desnudava formações rochosas interessantes esculpidas pelo ação da correnteza. À medida que fomos descendo pelo leito, a água começou a surgir em algumas grandes poças e logo depois em curso regular. E com a água, também surgiam as pessoas.

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Chicken shit bingo

No site do CS, o pessoal de lá combinou de se encontrar num evento chamado Chicken Shit Bingo (Bingo de Cocô de Galinha). Era um bar com música ao vivo e a galera, de vez em quando, se aglomerava num dos cantos do salão em volta de uma mesa coberta por um gradil com uma galinha dentro. A superfície da mesa era dividida em quadradinhos numerados, bem como uma grande cartela de bingo. A galinha era alimentada e daí ficava perambulando na gaiola e onde cagasse, era o número a ser marcado por cada jogador. Fiquei imaginando se eles não tinham que dar algum tipo de laxante pro bicho cagar tanto…

Yippee Ki Yay Cabaret

Yippee Ki Yay Cabaret

Demorei pra achar a galera, mas consegui. Depois de lá, fui convidado pela Barbara para ir a um show chamado Yippee Ki Yay Cabaret, uma espécie de musical western com “efeitos especiais” feitos de sombras e outros recursos propositalmente toscos. No meio da peça, ainda faziam alguns malabarismos e outras coisas. A parada era muito engraçada, muito bom mesmo!

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the king of junk

the king of junk

No dia seguinte, fomos à chamada Cathedral of Junk, uma espécie de castelo feito somente por ferro velho. Garrafas, torres de computador, brinquedos, discos, peças de bicicleta, placas, etc. A catedral fica bem no quintal do seu autor em meio a outras obras feitas também com lixo. No jardim à entrada da casa há uma representação das Torres Gêmeas feitas de engradados de cerveja. Os topos das torres são ligados por um barbante e neste um bonequinho, representando o equilibrista que havia se aventurado clandestinamente na travessia entre as torres verdadeiras (quando ainda estavam de pé), na década de 1970. Depois de lá ainda fomos ao Zilker Park com a companhia da simpática cadela Karima, mascote de Bárbara.

Outra pessoa também respondeu meu chamado no Couchsurfing, uma garota chamada Dee. Ela me convidou para um jogo chamado Geocaching, que consiste basicamente em utilizar algum aparelho de GPS para localizar tesouros escondidos por outros jogadores. A localização é dada, mas daí você tem de achar, pois pode estar dentro de um cano velho, num buraco no chão ou numa fresta de uma parede velha. As pessoas deixam algum objeto ou alguma mensagem. Fui de bike até a casa dela, deixei lá e saímos no carro dela. A casa dela é cheia de decorações de papel machê, bonecos surreais e todo tipo de coisa colorida e seu carro se manteve bem de acordo: branco e todo pintado de bolinhas de diferentes cores. Assim saímos a equipe na caça do tesouro! Achei um dentro de um uma espécie de estátua de uma motocicleta com um motociclista de metal. Estava no guidon e havia umas mensagens dentro. Outro achei num buraco no chão. Havia um pote e dentro dele, alguns pequenos tesouros. Escolhi um carrinho laranja e deixei um chaveiro de New Orleans. Agora com meu novo carro já podia atravessar o continente!

Geocaching!

Geocaching!

Depois dali, encontramos com uma amiga dela e fomos a um restaurante comer alguma parada. Em outra ocasião, ainda fomos à 6th street, que é uma espécie de ponto onde rola a balada por lá. Assim como era a Lapa a algum tempo atrás, a rua é fechada para o tráfego nos horários em que a festa come solta por lá. Um dos lugares a que fomos era uma casa onda estava rolando um ensaio de uma escola de samba de lá. Caí no samba lá e depois a o grupo ainda saiu pela rua dando uma volta no quarteirão. Boa acolhida!

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Tillery Park

Tillery Park

Resolvi organizar um evento lá por meio do Couchsurfing. Aproveitei que estava tinha levado comigo do Brasil uns pacotes de tapioca e puxei um intercâmbio gastronômico. A foi oferecendo seus espaços, mas o que termnou sendo decidido foi o da Bárbara. Lá tem uma cultura grande de parques de trailers e ela tem um trailer onde vende sucos e lanches saudáveis em geral. Compareceu algo entre dez e quinze pessoas. Eu preparei a tapioca e ainda teve um camarada de lá que trouxe um açaí pra completar o rango a la brasileira.

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Finalmente, deixei os EUA rumo ao México. Peguei um ônibus noturno da Greyhound rumo a Monterrey, via Laredo.

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