Adeus ao “Velho Continente” – 13 a 15 de Janeiro de 2013

Bem pela manhãzinha fui ao centro em busca de hospedagem. Encontrei um albergue cobrando uns 15 euros. Daí saí pra passear por Amsterdã e conhecer coisas que não havia visto da outra vez. Na verdade, fiquei mais andando a toa pelas ruas. Passei por um parque interessante, o Vondelpark e por ali fui vagando. Os laguinhos estavam com a maior parte de seus espelhos d’água congelados e as pessoas ainda circulavam por ali, só que bem abrigadas. Uma outra coisa interessante neste parque é que lá tem uma grade chamada findfence, que funciona como uma espécie de “achados e perdidos”, pois as pessoas penduram ali objetos dos mais diversos perdidos pelas pessoas no parque. Uma ideia interessante, mas me perguntei se funcionaria caso tentássemos implantar no Brasil…

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Findfence no Vondelpark

 

Depois de rodar mais pela cidade, comprei alguma comida e voltei ao albergue para descansar, ler alguma coisa e dormir. No dia seguinte iria para Bruxelas na Bélgica, onde encontraria com minha mãe, que estava passando um tempo na Europa e ficando na casa de uma prima em Roma. Em Bruxelas, ficaríamos na casa de uma amiga, Yayi, de quem minha mãe também gosta muito. Para ir busquei novamente o carshare, que é o compartilhamento de viagem. No dia seguinte de manhã encontraria com o cara que estava oferecendo o espaço no carro.

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Vondelpark

 

Pela manhã segui para o ponto de encontro. Era um carro grande, com duas fileiras de bancos atrás e lotado. Deu pra ver nitidamente que o motorista não estava simplesmente compartilhando uma viagem, mas sim trabalhando com aquilo. Ao longo do caminho, falou algumas vezes com um primo, a quem perguntava por uma eventual viagem de regresso que fosse o mais breve possível. Chegamos a Bruxelas lá pelo início da noite. Pedi pro cara me deixar perto da estação de trens, onde havia marcado com minha mãe e Yayi. Foi uma grande emoção reencontrar minha querida mãe depois daquele tempo todo. Mas mal sabia eu que aquele tempo era absolutamente anda se soubesse o quanto ainda ficaria longe depois daquele encontro… Daí seguimos pro apartamento de Yayi, mas já partimos para uma festinha na casa de uns amigos dela. Na verdade, não era uma festa mesmo, mas apenas um jantar entre amigos. O ponto alto da reunião foi a celebração que fizeram com o chamado Galette des Rois (ou King’s Cake), que é um bolo que contém uma prenda dentro (nesse caso, uma moeda) e quando o bolo é repartido, aquele que conseguir a fatia premiada se torna o rei e tem o poder de fazer com que os demais paguem prenda. Houve dois bolos e no segundo, fui premiado e recebi uma coroa de papel. Ordenei que meus súditos dançassem!  Bem, disse que o ponto alto da reunião foi o King’s cake, pois o ponto alto da noite veio quando saímos. Ao chegarmos à calçada, nos demos conta que havia nevado e estava uma boa camada de neve. Eu e minha mãe, que nunca havíamos tocado neve, não nos preocupamos em pagar mico e começamos uma guerra de bolas de neve. Logo outros aderiram ao combate gelado e eram bolinhas pra todos lados, emboscadas, queima-roupa… depois que a empolgação passou, nos metemos em um dos carros e partimos de volta pra casa. O plano para o dia seguinte era conhecer um pouco do centro de Bruxelas e depois ir a Bruges.

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Nevando em Bruxelas

Acordamos e partimos para o centro de Bruxelas, onde íamos visitar a Grand-Place (Grande Praça). No caminho, não pudemos deixar de fazer uma parada numa chocolateria, para provar o famoso chocolate belga. Entramos na Leonidas, que é conhecida, mas não tão cara. Tinha daquelas barras de chocolate tradicionais, assim como também bombons e trufas a quilo. Já municiados com as guloseimas, seguimos para a Praça. Realmente é uma esplanada gigantesca, ainda mais se considerarmos que não é uma dessas cidades modernas, como Brasília cheias de grandes espaços, mas uma cidade antiga e naquela parte ainda predominam construções e ruas medievais. São impactantes não somente as dimensões do logradouro, mas também a riquíssima arquitetura renascentista. A Grand-Place por si só já é uma atração e tanto, mas ainda ocorre nela um evento bianual, no qual cobrem a sua superfície com begônias, formando incríveis (e gigantescos, claro) desenhos coloridos. Infelizmente, não nos tocou presenciar esse espetáculo.

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Grand-place

 

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Mami e eu

 

Tomamos um trem para Bruges, onde chegamos no meio da tarde. É uma cidadezinha pacata, com arquitetura medieval e recortada por muitos canais. Inclusive, esses canais, que permitiam o acesso ao mar, fizeram de Bruges, por muito tempo, grande centro comercial. Seu porto foi, por muito tempo, a maior conexão no norte da Europa com as rotas vindas do Mediterrâneo. Fomos passeando ao longo dos canais e apreciando a arquitetura. O clima estava bem fechado, dando àquelas construções medievais um ar sombrio, o que era agravado ainda mais com a falta de gente nas ruas, temerosas com a ameaça de chuva ou neve. Depois de anoitecer, ainda caiu uma garoa, mas também decidimos voltar logo pra Bruxelas, pois tudo já estava fechando na cidadezinha e não queríamos perder o último trem. A caminho da estação, terminou que, pela primeira vez, eu e minha mãe presenciamos precipitação de neve. Lia também vinha querendo de todo jeito ver a neve, mas terminou voltando pro Brasil um par de dias antes dos flocos desabarem.

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Bruges

 

Chegamos em casa e aquilo já era a minha despedida com minha mãe, pois no dia seguinte de manhanzinha, já partiria bem cedinho pra tomar o trem rumo a Amsterdã, de onde tomaria o vôo para Nova Iorque. Logo depois de me despedir de Lia, já encontrei minha mãe e parece que serviu como uma preparação, pois ao perder a companhia de uma mulher importante, fui rapidamente amparado por outra (a mais importante de todos os tempos) bem às vésperas de me jogar sozinho na minha jornada pelas Américas.

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Eu e a neve

 

De manhã bem cedo acordei e saí pelas ruas e fui caminhando até porque a estação era bem perto. As ruas estavam cobertas de neve e tinha de ir com cuidado, pois derrapava bastante. Quando cheguei na estação, a surpresa: os trens não estavam saindo devido à nevasca que atingiu as linhas de ferro. Não me preocupei tanto porque tinha marcado o trem para um horário bem cedo, justamente para evitar imprevisto. O trem era para as 7h, enquanto que o vôo em Amsterdã era para as 14h e alguma coisa. E o trem já tinha um novo horário, para uma hora depois. Aparentemente tudo correria bem.

 

Porém, logo as coisas foram se complicando. O adiamento para a saída foi se prolongando e quando finalmente partimos, a coisa não melhorou muito, pois as paradas eram constantes e demoradas. Por fim, paramos em uma estação e aquele trem não seguiria mais… babou! Foi começando a se gerar um princípio de rebelião entre os passageiros, que intimávamos os funcionários, que por sua vez tentavam nos acalmar com suposições. Até que por fim decidiram embarcar aqueles que possuíam maior urgência num trem classe executiva de outra companhia. Este seguiu mais rápido, apesar de ainda ter feito umas paradas inesperadas.

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Vista pela janela do trem

Cheguei ao aeroporto Schipol ainda um pouco antes do voo e até daria para embarcar, mas o problema era a bagagem, que não tinha mais tempo de ser embarcada. Ou seja, a neve, que me deu alegria nos últimos dias, agora me faziam perder o voo. Fui até o guichê da companhia aérea e expliquei que tinha perdido o voo, porque meu trem atrasou. O atendente disse que poderia me alocar em outro voo, mas que teria de pagar um complemento. Olhei pra ele, apontei pra grande vidraça que dava vista da parte de fora do aeoporto e perguntei: “Você acha que eu tenho alguma culpa nessa nevasca aí? Eu não estava brincando para ter perdido a hora.” Bem, em muitas outras ocasiões de minha vida esse teria sido o caso, mas ali não. Ele terminou me dando outro vôo sem nenhum custo adicional, que saria às 17h. Fui à praça de alimentção e lá fiquei passando o tempo até a hora do embarque.

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