De volta ao Atlântico na terra dos moulays! – 6 de Janeiro de 2013

Na verdade, não fomos a Moulay Bousselham direto, pois não havia nada indo direto pra lá. De Rabat tomamos um para El Araich. Fizemos uma parada para tomar o café-da-manhã e checar a internet e fazer umas pesquisas sobre alojamento em Moulay Bousselham (não encontramos muitas informações sobre o lugar). Desde aí, tomamos um coletivo para Moulay, porém creio que era possível haver ido a Moulay sem passar por El Araich, pois esta esta bem mais ao norte, de forma que passamos pela entrada de Moulay. E como nem de El Araich é possível encontrar coletivos que entrem até a cidade, seria vantagem descer no cruzamento para Moulay, antes de chegar a El Araich, pois a única opção aí é tomar um taxi na estrada.

 

Bousselham é um vilarejo que, apesar de pequeno, é marcado por algumas características bem interessantes.O nome é referência a um importante santo sufi. O sufismo é uma corrente filosófica que nasceu dentro do islamismo e produziu obras de grande valor artístico, filosófico e espiritual. Talvez por ser um caminho que visa o autoconhecimento em detrimento da transmissão dogmática, seja considerado pela doutrina muçulmana dominante como uma heresia. O poeta Rumi é o mais célebre expoente sufi.

 

Moulay significa algo como “santo”, “senhor”, e Bousselham é o nome da pessoa. Lá, a cada pedaço que se caminha, se pode avistar mausoléus dos diversos moulays sepultados no vilarejo. Os mausoléus são estruturas cúbicas encimadas de uma cúpula e totalmente brancas. Entre tantos outros moulays, Bousselham é um dos que ali se encontram e jaz no maior dos mausoléus.

Image

mausóleu

 

Chegando lá, fomos ver se conseguíamos o contato com a família de Lalla Alu, que nos havíam recomendado em Granada. Perguntamos a algumas pessoas se tinham idéia de onde era, mas ninguém sabia. Imaginei que, por ser um lugar pequeno, as pessoas se conhecessem melhor. E os telefones de contato que tínhamos não funcionavam… Terminamos conhecendo um homem, chamado Said, que nos ofereceu alojamento para alugar. Era uma casa com vários aposentos, por 200 dirhans para os dois. Estava muito barato, mas logo descobri que o motivo é que o cara era tipo um caseiro de várias casas da área. As casas pertenciam, em sua maioria, a estrangeiros e quando eles não estavam lá, ele aproveitava pra fazer um trocado.

 

Image

 

Deixamos as coisas na casa e fomos dar um rolé. De cara, já nos deparamos com o Atlântico adiante. Acostumado a ver a alvorada no Atlântico brasileiro, aqui o sol se põe no oceano. Passamos numa feirinha e compramos umas comidas pra cozinhar depois, sem deixar de lado, é claro, as amêndoas, tâmaras e azeitonas, o fast food das arábias. Fomos até a via principal e lá passeamos entre bois (que tomavam a pista), bicicletas e carros. Passamos por uma lan house e me surpreendi que estavam assistindo lá dentro às tradicionais pegadinhas do Ivo Holanda e no maior lazer. Taí mais um produto de exportação brasileiro…

 

Image

Crepúsculo em Moulay Bousselham

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s