A cidadela azul e uma erva verde – 29 a 31 de Dezembro de 2012

Enquanto tomávamos o café da manhã no hostel, conhecemos outros viajantes que também estavam hopedados lá. Nosso plano inicial era ir pela costa atlântica e depois entrar para o deserto e as montanhas. Aquela galera iria fazer o inverso… Para nós não fazia muita diferença e como a rapazeada era maneira, decidimos mudar o caminho. O nosso próximo destino agora seria Chefchauen, um povoado encravado nos contrafortes da cordilheira do Rife.

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Cordilheira do Rife

 

Nosso grupo era formado por gente dos EUA e Reino Unido, além de nós, brazucas. Fomos ao porto, que era ali logo ao lado, e buscamos algum transporte que nos levasse por um preço bom. A princípio, queriam nos cobrar uns €15, mas ao final saiu por uns €11 para cada. Fomos em uma van e era só pra nosso grupo. O caminho era bem lindo passando primeiro pelos campos e depois pelos paredões escarpados e picos que nos abriam as portas para a região montanhosa do Rife. Chegamos a Chefchauen e na praça central já impressionava a vista com a grande montanha despontando no pano de fundo. Fomos logo buscar uma hospedageme encontramos uma onde havia a opção de ficar no terraço em umas tendas.

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Estrada a Chefchauen

 

Nos aventuramos pelos becos do vilarejo. É um cenário surreal, com suas casas azuladas amontoadas num grande labirinto que vai subindo pelas encostas da serra. Éum azul bem claro que dá um ar bucólico ao lugar. A primeira coisa que me veio a cabeça foram os smurfs… estavamos na cidadela dos smurfs! E de fato, caminhando pela cidade, reparamos que grande parte dos homens se vestiam com uma manta que tem um capuz pontudo, tipo ewoks, duendes ou magos. Era um lugar bem esquisito!

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E pra completar a esquisitisse, em qualquer rolé que déssemos por lá, a cada esquina éramos abordados por locais querendo vender haxixe. É que aquela região é uma das maiores produtoras de maconha do mundo e a maior de haxixe. O consumo de drogas pode ser severamente penalizado de acordo com as leis, porém, apesar disso, se você não der mole, não há que temer o controle policial. Há bastante tolerância. Mas em um país islâmico como isso é possível? É que a erva é a principal base da economia marroquina. O cultivo naquela região começou quando, no reinado de Hassan II (pai do atual monarca), relegou aquela parte do país ao esquecimento. O cultivo da erva foi a solução e a coisa chegou a um tal ponto que de saída desesperada se tornou um grande negócio, do qual o país se encontra totalmente dependente hoje.

Andar pela medina era uma aventura interessante, encontrando azeitonas, tâmaras e amêndoas (tudo bem barato). Também os artesanatos, as roupas típicas. Aliás, eu aproveitei e comprei um chale. E também Lia comprou um véu. Sim, foi umadecisão dela e eu apoiei. Já estava saturando a reação dos homens marroquinos a uma mulher com os cabelos à mostra. Ficavam olhando como crianças que nunca viram uma mulher. Houve um caso de uma lojinha em que fiz uma pergunta ao senhor que atendia. Ele me respondeu a pergunta e assim que se deu conta da presença de Lia, ficou hipnotizado a olhando e nem percebia que eu continuei lhe fazendo perguntas… Comprei também um gorrinho típico e dessa forma (e com minha cara de brasileiro, que parece qualquer coisa) passávamos mais batidos. Na verdade, quase sempre se dirigiam a mim em árabe e eu tinha de explicar que não era marroquino.

Num dos dias, juntamos a turma e fomos subir umas montanhas que estão ali nas redondezas. Seguimos a estrada montanha acima em busca de uma trilha para os cumes. No caminho, topamos com uns locais. Praticamente todos são envolvidos com o negócio do haxixe. Mesmo naquela estrada inóspita apareciam uns carinhas oferecendo haxixe… Também se via pelos montes uns caras que trabalham nas lavouras de cannabis e iam meio que se esquivando longe da estrada.

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Afinal encontramos uma trilha e fomos subuindo em meio a umas plantações que não se podia ainda ver do que eram. Chegamos a uma pedra de onde ficamos apreciando o visual da cidadezinha azul perdida naquela paisagem montanhosa. Ficamos ali relaxando e comendo uns lanches que levamos. De resto, além das plantações, se via apenas uma casinha isolada nas alturas daquelas muralhas.

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Em Chefchauen também provei pela primeira vez o legítimo couzcouz marroquino e o tagine (não confundir com tahine). Na verdade, tagine é o nome que se dá à baixela de barro em que cozinham sejam carnes de diferentes tipos, sejam verduras. É uma panela com uma tampa cônica, que retem o vapor e o faz circular continuamente, sem deixar o recipiente.

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Lá passamos a virada de ano. Foi uma coisa esquisita, pois como eles tem outro calendário, aquilo não significa nada. Estava tudo normal no lugar e só encontramos um hotel onde havia uma grande festa. Aí ficamos com nossa rapazeada dançando. Teve até um grupo de música típica tocando a noite inteira.

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Foi nossa despedida de 2012 e da pitoresca Chefchauen.

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