Gibraltar, um estreito tão largo – 28 de Dezembro de 2012

Fomos ao porto de Algeciras, onde pegamos um ônibus que leva os passageiros do ferry gratuitamente a Tarifa. Em 45 minutos chegamos. Compramos os bilhetes e fomos dar um rolé. A cidade é bonita. Tem umas muralhas interessantes e umas ruazinhas e um ambiente bem agradáveis. Além do mais aí está a divisão entre o Mediterrâneo e o Atlântico. Do outro lado se pode avistar, do outro lado do Estreito de Gibraltar, o Marrocos, saltando do Mediterrâneo com os cumes da Cordilheira do Rife. Fomos a uma ponta onde se pode tocar um mar, depois andar uns 4 metros e tocar o outro. Também havia, no lado do Atlântico, muitos kitesurfers, devido aos fortes ventos que rolam por ali. A cidade é o principal point europeu para os amantes do kitesurf e do windsurf.

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Entre dos aguas

Ali estávamos a um pulo da África, mas era mais que isso separava aqueles dois mundos que o passado e o presente insistem em atar um ao outro de maneira tão dramática. Em Tarifa mesmo se podia ver as marcas dessa relação na muralha, que foi inicialmente construída ao redor da antiga medina e posteriormente ampliada pelos espanhóis de Sancho IV. Uma luta enredada que se estende até os dias de hoje com os modernos navegantes, que atravessam o Mediterrâneo, só que agora em sentido contrário ao dos antigos conquistadores ibéricos. São as precárias balsas de imigrantes que seguem a rota dos califas de outrora, sendo que com menos ares de triunfo. Do outro lado do estreito, um país saindo lentamente da ortodoxia islâmica, adotando mais e mais hábitos ocidentais, enquanto que ainda persevera a miséria que envia levas e levas de seres humanos através deste oceano tão estreito, um estreito tão largo.

Pegamos o ferry, que custou €53 (ida e volta, com a volta em aberto) e chegamos à noite em Tanger. Havíamos buscado um hostel próximo ao porto. No site, havia a indicação de como chegar, mas o caminho estava interditado e tivemos que nos meter pelas vielas escuras da medina (área de mercado). Era meio sinistro, mas não tínhamos alternativa. Então fomos perguntar às pessoas. Fui numa lojinha e um cara parecia meio enrolado em responder, até que apareceu um carro, que parou, e ele chamou um dos caras e disse que era seu primo e poderia nos indicar. Exliquei que só queria que nos dissesse. Mas o tipo meio brucutu já saiu indo junto conosco e eu me apressei logo em repetir o que já havia dito a seu suposto primo, mas o cara disse que não falava espanhol. Parênteses: usei o espanhol, porque no Marrocos além do árabe, se fala espanhol e/ou francês, dependendo da região. Tentei então algo de francês, mas ele disse que tampouco falava francês… tentei gestos, mas não funcionou. Comecei a ficar preocupado a medida que avançávamos pelas vielas e quando já pensava em me despedir do cara, ele nos indicou o hostel à nossa frente. Lhe cumprimentei, agradeci e entrei no hostel. Como, segundo ele mesmo, não falava nenhuma língua que eu conhecesse, tampouco teria como me cobrar, né? O nome do hostel é Melting Pot. Entramos e fomos ao check-in. Enquanto acertávamos, bateram à porta: era o cara acompanhado de outro primo e vieram me cobrar. Saí pra ver qual era, pois não queria simplesmente acenar de dentro usando o atendente do hostel como garoto de recado. Lhes cumprimentei e perguntei o que queriam comigo. O tal primo foi explicando que veio porque o outro só fala árabe e que queria algo por ter nos ajudado. Lhe disse que não queria que nos trouxesse, mas o cara continuou. Ele, lógico, disse que ele simplesmente não parou porque não nos entendia. Aí respondi que não era culpado por ele não nos entender e que não poderia fazer nada a respeito. Os caras insistiram em tom mais agressivo e eu mantive a negativa. Até que decidi ver se resolvia aquilo e lhes ofereci 50 centavos de euro, mas ele disse que aquilo não pagava nem um chá (mentira!) e então perguntei quanto achavam que valia o trabalho de seu primo. 5 euros, respondeu. Resolvi parar com os rodeios e encurtei o papo: “Ou vocês aceitam o que ofereço ou não tem nada. Não pago 5 euros. Amigo, sou brasileiro e sei como isso funciona. Teu primo quer dinheiro e eu também e não tenho para esbanjar.” O cara abriu os olhos, me mirou e logo soltou uma risada: “Você é brasileiro?” Fez umas festas comigo e já deixou pra lá a lenga-lenga. Creio que conversamos algo sobre futebol (você que odeia futebol, estude mais um pouco sobre o assunto, pois abre portas na maior parte do mundo) e nos despedimos. Terminamos de acertar com os do hostel e fomos dormir afinal.

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Medina de Tanger

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2 pensamentos sobre “Gibraltar, um estreito tão largo – 28 de Dezembro de 2012

  1. Como passou seu Natal querido sobrinho! Feliz Ano Novo! Tudo de bom para você neste ano que se inicia!
    Passei este Natal sem internet meu not teve problemas tive que colocar no concerto este foi o motivo de minha ausência na internet!
    Bjos,

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