Dentes, uvas e azeitonas da Provença – 18 de Dezembro de 2012

Chegamos a Seguret de madrugada e fomos tentar o contato com Thomas ligando do celular de Christophe, mas não rolou. Sugeri que não tentássemos mais, pois estava muito cedo para acordarmos ele e poderíamos dormir ali mesmo no carro até amanhecer. Um coroa apareceu de repente e nos disse que não era permitido estacionar onde estávamos, e então subimos mais pela colina e paramos em outro lugar. Já tinha até achado uma posição confortável no banco o carona, quando meu relax foi interrompido pelo toque do celular. Era Thomas que estava retornando a chamada. Se por um lado gostei de termos conseguido fazer o contato finalmente, por outro, não gostei de ter incomodado ele e também já tava na vibe de dormir ali. Frequentemente se passa comigo que quando tô em alguma situação de perrengue, termino me adaptando à situação e até me divirto como se fosse uma espécie de desafio. Se não for um perrengue muito pesado, é claro!

Bem, encontramos com Thomas e começamos a subir a ladeira até o alto do morro. Seguret é um povoado que se formou a partir de um posto militar medieval instalado estrategicamene no alto de um morro, o que proporcionou um charme especial a este pequeno vilarejo. Thomas vive com seus pais e sua namorada em uma simpática casa de pedra na parte mais alta do povoado, onde no primeiro andar funciona um pequeno bazar. Um pouco mais acima, há uma igrejinha, também de pedra, que aparentemente é antiga, mas descobrimos que está aí apenas há um par de décadas. Logo que chegamos à casa e trouxemos as coisas para dentro, já começou a amanhecer. Muito linda a vista, desde lá de cima, daqueles campos dourados pelos primeiros raios de sol.

Logo conhecemos os pais da família, que são pessoas adoráveis. A mãe é chilena e o pai é natural da Provença mesmo. Um pouco mais tarde, quando já estávamos arrumados, nos reunimos todos para o café da manhã. Tomamos lugar na varanda, onde pudemos apreciar a mesma vista maravilhosa já descrita antes, enquanto degustávamos azeitonas colhidas ali mesmo. Foram as mais deliciosas que já havia provado. Também serviram vinho feito por eles mesmos. Eu não gosto de vinho, mas provei um pouco e me pareceu ter um sabor interessante. Christophe, que é amante do néctar de Baco, se encantou com a prova.

Depois, saímos para uma volta pelas montanhas. Pegamos nosso carro e Thomas foi com sua namorada no seu carro, nos guiando. Fomos em meio aos campos e rodeados pelas montanhas Dentelles, com sua formação encimada por rochas que lembram dentes, conforme sugere o nome. Fomos até uma parte mais elevada, de onde descemos dos carros para apreciar a vista. A vista são de enormes harmoniosos dentes saindo da terra e pronto a mastigar campos rebemtendo de oliva e com vinho escorrendo brotado das entranhas dos parreirais que se espalham pelas planícies abaixo. Aí no mirante, encontrei umas castanhas no chão, as quais Thomas disse não serem comestíveis. Disse que quem as come são os javalis. Ousei as provar e têm até um sabor bom, mas após poucos segundos na boca, começa a amargar. Daí descemos a serra até a abadia de Sainte Madeleine. Aí visitamos a capela, cujo interior é bem simples. Depois fomos a um bazar dos monges, onde eles vendem pão, mel, geléias e outras lembrancinhas, como medalhas, CDs religiosos e livros. Lia comprou um medalhinha pra sua mãe, que é católica.

O pôr do sol já estava próximo e seguimos para o monte Ventoux, cujo pico nevado já avistávamos desde longe. E de fato, lá em cima, tava uma friaca e se podia ver a neve por todos os lados. Não vimos nevar, algo pelo qual Lia esperava bastante. Eu também tinha esperança de ver nevar pela primeira vez na minha vida. Tocar neve depositada no chão era algo que já havia feito na Bolívia antes. Mas de qualquer forma é uma vista muito bonita com o entardecer do alto daquelas montanhas nevadas.

O próximo destino era Vaison La Romaine, uma cidade que possui ruínas tanto romanas quanto medievais. Já era noite, mas fomos assim mesmo. O sítio das ruínas romanas já estavam fechados, mas foi possível ver pelas cercas, já que as ruínas ficam bem ao lado da rua. Andando mais pela cidade, topamos com uma ponte romana, que teria resistido a diversos ataques em diferentes épocas, incluindo uma tentativa dos nazistas de implodi-la. Após a ponte, temos acesso a uma parte elevada composta basicamente por contruções medievais.

 

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