14 de Dezembro de 2012 – Descobrindo a Cidade Luz

Fiz contato com Vicente e Carlos, dois camaradas do Rio, que estavam em Paris. Vicente também tava de rolé pela Europa e ficamos de nos encontrar lá. Ele tava ficando com Carlos na casa de Sophie, namorada deste. Combinamos de fazer alguma coisa à tarde. Eles sugeriram irmos ao Chateau de Vincennes, um castelo que fica em um jardim imenso a leste de Paris. É uma das maiores e mais importantes fortalezas fortificadas da Europa. Já serviu também como prisão duranto muito tempo. Entretanto, logo o plano de visitá-la michou, pois estava chovendo e eles acabaram mudando de idéia. Agora o plano era ir a Barbes, um bairro com predominância de população árabe e onde as coisas são mais baratas. Eles queriam comprar fantasias natalinas para um desfile de natal que ia acontecer no dia seguinte. Pegamos o metrô e fomos ao encontro deles. Após comprarem as fantasias, andamos até Montmartre para ver a igreja Sacré Coeur. É interessante que a igreja fica situada bem numa área boêmia e há uma tese que diz que isso teria sido proposital, com o intuito de afrontar os pândegos do pedaço. Na verdade, houve mesmo uma intenção em construir este colosso bizantino de mármore ali. A decisão se deu logo após o fim da guerra Franco-prussiana em 1871. Os idealizdores diziam ter sido uma promessa no caso da Fraça resistir ao ataque alemão, sendo que representou muito mais uma reação conservadora à onda rebelde da Comuna de Paris, cravando um bastião da tradição reacionária francesa e alçando como sentinelas as estátuas de Joana D`Arc e do Rei Luís IX no alto do templo sobre um dos bairros mais avant-garde.

De lá de cima se tem uma vista de toda Paris. Se pode ver a cidade se estendendo ao horizonte, sendo marcada por duas silhuetas contrastantes com a cidade composta basicamente de edificações baixas. São a Torre Eiffel e a torre de Montparnasse. Este último é o único arranha-céu parisiense. Sim, apesar de ser uma das maiores capitais do mundo, eles não adotaram a idéia de uma metrópole tomada por espigões, como New York, por exemplo. Depois de Montparnasse, não foi mais permitida a construção de nenhum arranha-céu, pois isto causaria uma agressão ao patrimônio histórico arquitetônico. Inclusive, parece que, entre os parisienses em geral, existe um tipo de repulsa a esse edifício, que seria uma espécie de barbárie em meio ao glamour parisiense. Bem que nós, no Rio, poderíamos ter incorporado um pouco dessa preocupação no sentido de preservar nosso centro histórico. Felizmente, temos tanta coisa, que mesmo com o massacre que os governos promoveram sobre nosso patrimônio, ainda há muita beleza e história a ser apreciada. E até que se formou acidentalmente uma interessante desordem arquitetônica cheia de contrastes.

Descemos, então, e fomos em direção à Moulin Rouge, passando pela rua repleta de cabarés e lojas de artigos eróticos. Ficamos de rolé por ali e só conversando até que deu a hora de nos separarmos. Nos despedimos, mas antes Carlos decidiu deixar conosco seu celular, para poder se comunicar desde o celular de Sophie.

Fomos a um mercado comprar algumas coisas pra comer e continuamos vagando pela cidade. Passamos pelas famosas Galerias Lafayete, que são conhecidas por receber luxuosos eventos de  moda. Em seguida topamos com a Opera Garnier, especialmente importante para nós, cariocas, pois além de sua bela arquitetura eclética, é a inegável fonte de inspiração para a construção de nosso Teatro Municipal.

Continuamos, passando pela Place Vandome e depois pela Place de la Concorde. Lá nos deparamos com outro obelisco egípcio milenar (assim como o de New York) “doado” para uma nação amiga. Na Champs Elisées havia uma feirinha por toda a avenida que seguimos em direção ao Arco do Triunfo. Assim que acabou a feirinha, caminhávamos pela calçada, quando dua meninas de feições árabes nos abordaram com uma espécie de abaixo assinado na mão. Diziam que era para prisioneiros políticos em algum lugar que não me lembro. Não levei muita fé, mas acabei dando 50 centavos (e a menina ainda quis pedir mais). Provavelmente era um golpe, pela maneira como conduziram a coisa. A princípio nem sequer mencionam que é uma doação, parecendo que é um simples abaixo assinado. Fazem você preencher uns campos com o nome, identidade e outros dados. Entre os campos, um vi que era para discriminar a quantia da doação, mas elas passaram direto por esse e só ao final voltam a ele. Esse foi um golpe que me surpreendeu, pois é do tipo que cai como uma luva numa população com um estigma intelectual e que cultiva esta auto-imagem. Nada melhor que apelar para uma causa política! No Brasil, isso não teria muito espaço pois ninguém daria a mínima… Estávamos espertos e nos ligamos se não viria ninguém por trás pra bater carteira.

Afinal chegamos ao Arco do Triunfo. Ele fica no meio de uma rotatória e não havia nenhum semáforo ou passagem à vista. Tentamos, então, atravessar à moda carioca mesmo por ali, mas são muitos carros e os caras são muito loucos no volante, fazendo várias barbeiragens. Fomos rodeando o arco, até que encontramos uma passagem subterrânea e conseguimos chegar ao outro lado.

O Arco foi concebido inicialmente em louvor as vitória de Napoleão e depois de sua queda, quando finalmente foi inaugurado em meados do século XIX, passou a homenagear também muitos outros generais franceses. Apenas depois do morticínio gigantesco da Primeira Guerra Mundial, foi construído na base do Arco um monumento-túmulo ao Soldado Desconhecido.

De lá enquanto admirávamos o arco, vimos a Torre Eiffel piscando com sua milhares de lâmpadas. Acontece a cada hora ou algo assim durante a noite. Então saímos de lá e fomos em direção à torre. Já era tarde e já não se podia subir ao alto dela mais. Mas não tinha problema. Ficamos só ali observando e logo começou o show de luzes de novo.

De lá tomamos o metrô de volta pra Bagnolet.

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Champs Elisées

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