11 de Dezembro de 2012 – Pelos canais de Amsterdã

Em meio aos últimos momentos de escuridão, alguma luminosidade já presente no ar revelava as planícies perfeitas e quadriculadas por campos, o que anunciava a chegada ao espaço aéreo dos Países Baixos. Do terminal do Schipol (nome do aeroporto), fomos à estação ferroviária, donde pegamos um trem de €4 até a Centraal Station de metrô. De lá pegamos o metrô até Muiderpoort. Lá iríamos ficar na casa de uma amiga de Lia, Denise, que mora lá com seu marido, Rugero e um filho ainda bebê. Eles vivem lá completamente legais, pois ele, apesar de ser brasileiro, tem nacionalidade holandesa, por ser filho de um imigrante holandês.

Nos mostraram onde íamos dormir, no sofá da sala e depois saímos para conhecer a cidade. Eles nos emprestaram uma bicicleta, que eu usei pra ir até o centro, enquanto Lia tomou o bonde. Eu iria seguindo o bonde e encontraria ela na parada Museumplein. Denise nos levou até o ponto do bonde. Assim que o trem partiu, eu fui atrás e logo tive meu primeiro contato mais impactante com Amsterdã. Nem pedalei uns 5 metros e desatento, deixei o pneu  entrar numa valinha do trilho do bonde e me fui direto ao chão. Como não tava ainda muito acelerado e caí bem, não cheguei a me machucar. Levantei o camelo e pedalei firme pra alcançar o bonde, que já estava lá na frente! Mas como o bonde para em algumas estações, cheguei ao destino antes de Lia.

Fomos andando no gramado ao lado do Museu de Van Gogh. O museu estava fechado para reforma, mas nos informaram que a exposição de suas obras havia sido transferida para um outro museu na cidade. No gramado, pela primeira vez na minha vida avistei corvos. Diz a lenda que esses passarinhos sombrios seriam mensageiros da morte, mas, provavelmente, seu vulto negro (do bico às unhas) só chegaria a me parecer algo próximo dessa figura ameaçadora se me deparasse com um deles numa fazenda de trigo no meio do nada. Ali na cidade grande, só me pareciam uns pombos vagabundos pintados de preto…

Mais algumas dezenas de metros a frente estava o Rijksmuseum. É em frente a ele que está aquela famosa escultura das letras formando a frase “I AMsterdam”. Pode parecer curioso que num país, um de seus maiores símbolos seja um trocadilho numa língua estrangeira, mas talvez isso seja uma expressão do fato que a Holanda é um dos países não anglófonos (palavra que designa o que tem o inglês como língua oficial) com maior fluência na língua bretã. É sério! Todos falam inglês e muito bem. Pelo menos eu não topei com ninguém que não conseguisse se comunicar decentemente em inglês. Não importa a classe social ou a profissão, todos dominam bem o idioma. E não tive essa impressão por nosso próximo destino ser a França e o contraste que se produz pela diferença aberrante neste quesito.

Seguimos em direção à Leidseplein (plein significa praça), que está ao fim da Leidsastraat (straat significa rua), que é uma das ruas mais movimentadas e turísticas da cidade. No caminho cruzamos os primeiros canais. A grande quantidade de canais se deve ao fato de que boa parte do litoral holandês são grandes faixas de aterro. A Holanda é um país com uma altitude mínima em todo seu território. Uma de suas denominações é Países Baixos não é à toa. Certa vez estava guiando um grupo de holandeses numa favela do Rio de Janeiro e me perguntaram qual era a altitude daquele morro. Disse que era algo entre 200 e 300m, ao que eles me responderam informando que aquilo provavelmente era mais alto que o ponto culminante de toda a Holanda. O país é literalmente tão baixo, que áreas, como Amsterdã, estão  situadas abaixo do nível do mar e protegidas do mar por diques. Naturalmente, esses caras se tornaram um dos maiores especialistas na arte de construir diques. Mas nem por isso, a ameaça marinha deixou de ser um problema, ainda mais com todo essa questão das alterações climáticas pelas quais vem passando do planeta. Inclusive, na história holandesa, a fúria de Poseidon já se manifestou contra a ousadia dos seres humanos, na forma de algumas catástrofes em que o mar invadiu o continente, tomando de volta seu espaço, juntamente com algumas muitas vidas humanas e mais umas tantas graciosas vaquinhas holandesas que pastavam inocentes, mas na hora e lugar errados.

No centro, os canais formam círculos concêntricos que vão se sucedendo em direção à sua parte mais central onde se localiza a Dam Square. Dam significa dique (barragem) e de fato o lugar originalmente funcionava como dique do Rio Amstel. E justamente daí vem o nome da cidade: Amstelredam, que depois se converteu no nome atual. Lá está o Koninklijk Paleis, a residência real. Pelo caminho da Leidsastraat, há muitas lojas de souvenirs e lanchonetes, porém os preços são ridículos. Por lá na Europa tudo é caro mesmo, mas naquela área se pode achar um mísero waffle por €6. Havia uma queijaria onde paramos e ficamos rodando dentro da loja pegando prova de tudo que era sabor. Deu pra forrar! Afinal achamos uma lanchonete com um tipo de pastel de maçã por €3 numa outra ruazinha. Os pombos andavam dentro da loja e de repente um voou pra cima de uma mesa e aparentemente ninguém se incomodou. Depois de um tempo em que eu fiquei apreciando o desfile do pássaro ousado na improvisada e de ter tirado fotos em variadas posições, alguém se animou para enxotar o visitante.

Passamos numa lojinha que vendia substâncias psicotrópicas. Ou seja, tinham cogumelos, sálvia e outra coisas. Tudo legal, claro! Também vimos um monte de coffee shops, onde se pode fumar maconha tranquilamente. Até mesmo em algumas lojinhas de doces se encontram biscoitos, pirulitos ou chocolates com maconha.

Voltamos então à Museumplein, compramos alguma coisa num mercado ali perto e de lá, Lia pegou o bonde e eu peguei a bicicleta e voltamos pra casa.

IMG_0473

Anúncios

3 pensamentos sobre “11 de Dezembro de 2012 – Pelos canais de Amsterdã

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s