6 de Dezembro de 2012 – New York

Chegamos aos EUA por volta das 7h. Enfrentamos uma filinha bem grande na imigração. Quando chegou nossa vez, pegamos um careca esquisito, que não parecia muito amigável. Ele só perguntou  se tinha algum tipo de produto alimentício e eu disse que trazia doces e tapioca e tive de explicar o que era isso. Na verdade, trazia um bocado de banana passa também, mas como o formulário que preenchi no avião para entregar ali dizia que vegetais não eram permtidos, omiti e me preparei para dar uma de joão-sem-braço e dizer que me esqueci e que pensava que, assim como a  goiabada, a banana passa era um doce, já que é diferente da banana fresca e vinha lacrada em embalagem industrial. Aí em seguida é que veio o mais complicado:o cara perguntou onde iríamos ficar no país. Expliquei que tinha perdido o papel com o endereço anotado, mas que se houvesse internet disponível, poderia checar em meu e-mail. Falei que me lembrava apenas do nome do prédio e ele perguntou se era um hotel ou um albergue. Disse que não e que era um apartamento mesmo e que se tratava do Couchsurfing. Diante do cenho franzido do sujeio, rapidamente fui explicando o que é o CS da maneira mais básica, dizendo que é o maior site de viajantes do mundo e que se trata de uma forma de poder se hospedar na casa dos outros de graça. Se fosse ainda querer explicar que, mais que isso, é  uma rede para intercâmbio cultural, era capaz de complicar a coisa, então deixei pelo senso comum mesmo. Ele não mudou muito a cara, mas falou que  podia passar e que iria registrar o nome do prédio mesmo. Passei  fui pegar a passagem, com que tive de passar por outro controle, agora de bagagem. Mas só perguntou as mesmas coisas quanto a produtos alimentícios e eu repeti minha resposta.

Saímos finalmente para o saguão do aeroporto, onde tentaríamos acessar a internet e pegar o bendito endereço. Não achamos nenhuma rede livre, a não ser um serviço de internet paga chamado Boingo. Depois descobrimos que havia no terminal em que desembarcamos (terminal 4) acesso livre, mas estava temporariamente indisponível… No fim das contas, tivemos de morrer em $9 com o tal do Boingo mesmo. Descobrimos o endereço e fiz contato com conhecidos de NY.

Resolvido isso, pegamos o trem para sair de lá. No aeroporto existe um serviço ferroviário chamado air train, que circula gratuitamente entre os 8 terminais, mas para fazer conexão com o metrô, tem de pagar um bilhete de $5. O bilhete normal do metrô custa $2,25, mas se você vai ficar uns 4 dias ou mais, compensa pegar um bilhete de uma semana ou mais.

Descemos na estação Jamaica, que fica no Queens. De cara, já senti o impacto da cidade com a quantidade de asiáticos, latino-americanos, árabes, indianos por todos os lados. Tudo bem  que o Queens é um bairro bem típico de imigrantes, mas depois pude constatar que por toda a cidade o que menos se vê são os típicos brancos anglo-saxões. Talvez em Manhattan  Midtown e Downtown haja uma quantidade mais expressiva deles, mas o que predomina é mesmo uma profusão louca de idiomas variados sendo falados aqui e acolá.

Outra coisa em que reparei foram as condições do metrô. Se por um lado, ao olhar no mapa da estação de metrô o emaranhado gigantesco que é a rede metroviária deles, dá pena de nós, cariocas, ao comparar com os dois rabisquinhos insignificantes que são nossas duas linhas, por outro, o estado de conservação das estações é muito melhor no Rio. Em NY, os trilhos são verdadeiras lixeiras e as paredes são todas maltratadas. Além do fato de que eles têm um número infinitamente maior de estações e linhas para cuidar, acho que também cabe para explicar isso uma questão cultural. Enquanto, no Brasil, o transporte ferroviário sempre foi muito pouco valorizado, lá é o que há de mais comum. É como se as estações fossem extensões das calçadas (na verdade, me parece que estas são mais limpas). No Rio, parece que o metrô, apesar de já estar completamente popularizado, é ainda algo meio que alienígena. O povão vê o metrô como se fosse uma coisa de elite, ou uma propriedade privada (pois bem sabemos que, para nós, o que é público é de ninguém e pode tratado de qualquer jeito). Afinal, enquanto o nosso mal completou três décadas de existência, o deles já é centenário…

Enfim, do Queens, pegamos a linha E até a estação 51th street e mudamos para a linha 6, onde descemos na 113th st, que fica no Harlem. Enfim chegamos ao nosso destino. Fomos recebidos por Nicky e mais algumas meninas que estavam hospedadas lá. Ele é um bom retrato de um novaiorquino, filho de um estadunidense anglo-saxão com uma boliviana. Vive num apartamento grande, onde recebe couchsurfers, que ficam instalados em sofás-cama na sala, ou no chão, mas também possui quartos que aluga através do Air BNB (Air Bed and Breakfast), um site onde você cria um perfil por meio do qual se pode alugar uma cama, um quarto ou um imóvel inteiro, geralmente por períodos curtos. Naquele momento, encontramos na casa uma italiana e uma estadunidense. A italiana era uma atriz, chamada Valéria, que estava ficando um tempo em NY para aprender inglês para sua profissão. Com ela inclusive funcionava outro sistema, pois quando é caso de alguém que quer ficar por um tempo mais longo é possível ficar pela sala, como os couchsurfers, sendo que tendo que fazer serviços domésticos.

Saímos então para dar uma volta na vizinhança e o que vi foi um cenário que me fez lembrar daqueles filmes ambientados em cidades estadunidenses, onde fugitivos sempre escapavam pulando pelas escadas metálicas de emergência que ficam do lado de fora dos prédios. Quadras de basketball ao longo das calçadas, prédios de tijolinhos marrons, pracinhas escuras aqui e ali. Andamos apenas algumas poucas quadras a oeste e já estávamos no Central Park. Decidimos não entrar naquele momento, pois iríamos comprar câmeras lá em NY, obviamente muito mais baratas que no Brasil. Paramos numa van de um egípcio que vendia comida árabe e compramos um falafel por $3,50. Aqui já deu para sentir um pouco do jeito novaiorquino de ser. Um outro cliente chegou e ficou fazendo perguntas sobre os produtos, até que num dado momento o vendedor soltou um “yes, sir!” que assustou a mim e a Lia. Mas em menos de um minuto os dois já estavam fazendo piadas e rindo-se.

Voltamos para o apartamento, vimos com o Nicky como chegar na loja e já partimos pra lá. A loja é a B&H, muito conhecida no Brasil pela galera que mexe com audiovisual, pelos bons preços. Eles são tão populares entre nós, brasileiros, que o site deles tem até um link com a bandeira do Brasil que abre uma versão toda em português (ao que me lembre, não existe para outras línguas). Com os impostos que temos no Brasil, ainda vale mais a pena importar. Nossa idéia era comprar uma câmera boa e então pegamos cada um uma Canon 60D. A câmera (com seguro de dois anos), mais um cartão de 16GB, uma case, uma bateria extra, um controle remoto, duas lentes, um MP4 16GB Sony, um fone de ouvido em arco Phillips e uma câmera portátil à prova d`água e de queda Olympus, saiu tudo por $1400 (!). Não é mentira!

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12 pensamentos sobre “6 de Dezembro de 2012 – New York

  1. Nossa, que internet e translado salgados …e se a calçada é mais limpa que o metrô, imagine o odor no calor…kkkkkk

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